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Time PG recebe atletas de Moçambique em projeto pioneiro no Brasil contra o racismo no esporte

Três jogadoras do país africano integram a equipe de vôlei feminino da Cidade

04/07/2024 às 19h30 Atualizada em 04/07/2024 às 19h31
Por: Penha News Fonte: Prefeitura de Praia Grande - SP
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Praia Grande - SP
Foto: Reprodução/Prefeitura de Praia Grande - SP

O esporte vai muito além de vitórias e derrotas. Respeito, disciplina, cooperação, inclusão, valores que fazem parte do dia a dia de pessoas de todas as idades que praticam alguma modalidade. Tudo isso auxilia na formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Desta forma, não é exagero afirmar que o esporte funciona como uma incrível ferramenta de transformação social.

Diante desse cenário, o Time Praia Grande decidiu fazer parte de um projeto pioneiro no Brasil e que tem como principal objetivo combater o racismo no esporte. Três atletas da República de Moçambique iniciaram os treinamentos com a equipe de competição de vôlei feminino da Cidade. A iniciativa ocorre em parceria com os Ministérios da Igualdade Racial (MIR) e do Esporte (ME).

As ponteiras, Ana Paula Joaquim Sinaportar (24 anos), e Mércia Novidade Mucheze (24), além da central, Jéssica Alberto Moiane (26), são um pedaço de Moçambique em Praia Grande, litoral sul paulista. As atletas viajaram durante 12 horas de Maputo, capital do país africano, que tem mais de 1 milhão de habitantes, até o Brasil.

A chegada em solo brasileiro ocorreu no último dia 27 de junho. As jovens participaram de uma apresentação oficial que contou com a prefeita da Cidade, Raquel Chini, o campeão olímpico com a seleção brasileira de vôlei masculino e ex-secretário de Esportes e Lazer praia-grandense, Rodrigo Santana, o Rodrigão, e a diretoria de Políticas de Combate e Superação do Racismo do MIR, Iyaromi Feitosa.

“Nós estamos muito felizes e animadas de fazer parte de algo tão grande que é lutar contra o racismo. Essa é uma oportunidade incrível. Mesmo com todos os desafios possíveis, agarramos e vamos fazer dar certo. Estamos aqui por nós, pelas pessoas de Moçambique e por todos que estão nos apoiando. Agradeço ao Brasil e a Praia Grande”, comentou Ana Paula Joaquim Sinaportar, com sorriso fácil, arma para tentar combater a notável timidez.

A vinda das atletas para o Time Praia Grande só foi possível graças a uma ação capitaneada pelo programa de intercâmbios Caminhos Amefricanos, do MIR. De acordo com as diretrizes desta iniciativa, são desenvolvidos pequenos intercâmbios entre o Brasil com países do continente africano, da América Latina e do Cairbe.

Em Moçambique, as jogadoras estavam cursando ensino superior e também defendendo a equipe de vôlei da Universidade de Maputo. Ana Paula era aluna do curso de psicologia social, Mércia de economia e Jéssica de educação física. O contato do MIR para articular a vinda das jovens ocorreu direto com a instituição educacional.  

“Este é um projeto teste de intercâmbio entre atletas. Primeira experiência do Ministério e delas também. Trata-se de um piloto para que possa ser aperfeiçoado, ampliado e com um envolvimento nacional de combate ao racismo no esporte. A vinda dessas jovens é uma ótima oportunidade de trocar experiências, enriquecer a cultura e debater políticas públicas relacionadas a este tema. Agradeço a Prefeitura de Praia Grande por entrar nesse projeto”, disse a diretoria de Políticas de Combate e Superação do Racismo do MIR, Iyaromi Feitosa.

Na prática, Ana Paula, Mércia e Jéssica serão as pioneiras deste projeto e atuarão como ‘embaixadoras’ na luta contra o racismo no esporte. Rostos com sorrisos largos e encantadores que ficarão ligados a causa. Uma estratégia encontrada pelo MIR para personificar e tornar próximo das pessoas de uma comunidade, bairro ou cidade, esse tema tão atual e que só é lembrado quando algo ocorre em grandes eventos esportivos, como o caso do atacante brasileiro de futebol, Vini Júnior, alvo em diversas oportunidades de injúria racial em partidas da La Liga, na Espanha.  

“Isso vai muito além de combater o racismo dentro do esporte. É ir contra esse tipo de prática perversa em qualquer forma ou espaço que ele possa surgir. Praia Grande recebe essas jovens de braços abertos. Para a nossa Cidade é motivo de orgulho fazer parte de um projeto tão importante como este”, afirmou a prefeita do Município, Raquel Chini.

Aventura – As três jogadoras de vôlei de Moçambique estão animadas pelo novo desafio pessoal e profissional. Em Praia Grande, elas terão moradia e alimentação custeadas pela Prefeitura, além da estrutura para treinamentos e competições. A Cidade também disponibilizará atendimento médico e transporte gratuitos. O MIR encaminhará uma bolsa mensal como forma de auxílio financeiro.

As aventuras que virão pela frente são o que mais motivam o trio. O primeiro obstáculo, a língua, já não é problema, ou quase isso. “Também falamos português. Mas o brasileiro tem muitas expressões próprias dentro de sua língua. Vamos ter que nos acostumar. Mas isso não terá um nível de dificuldade elevado. O mais complicado será a saudade de casa e das pessoas”, ressaltou Mércia Novidade Mucheze, vestindo o agasalho da Universidade de Maputo.

As três não têm conhecem muito sobre o Brasil. Praias, música, povo hospitaleiro e muito ídolos no esporte, são referências que surgem rapidamente quando são perguntadas sobre o novo país. Quando ficou acertada a vinda para Praia Grande foram pesquisar mais na internet. Mas os principais parâmetros, para surpresa geral, são as novelas.

“Assistimos as novelas brasileiras todo os dias em Moçambique. São um sucesso. Elas nos possibilitam conhecer um pouco mais do Brasil e seus costumes. Também ficamos por dentro de algumas expressões brasileiras, como ‘perdeu’, ‘perdeu’”, lembrou Jéssica Alberto Moiane, gargalhando com suas outras duas amigas.

O bom humor das moçambicanas já foi sentido nos primeiros dias de treinamentos com as novas companheiras. A integração com as atletas brasileiras ocorreu logo de cara e de uma forma bem natural. Atualmente, o Time Praia Grande de vôlei feminino conta com quatro categorias. São elas: sub-17, 19, 21 e adulto.

“Essa é uma oportunidade de crescimento. A forma de jogar delas é diferente da nossa. Assim, todos saímos ganhando com essa troca. As nossas jogadoras estão felizes por essa oportunidade. É um prazer tê-las conosco. E lutar contra o racismo no esporte é um dever de todos. Agora, é dar prosseguimento no trabalho e evoluir a cada dia”, programou a técnica da modalidade da Cidade, Paula Camerini.

O próximo desafio do vôlei feminino do Time Praia Grande será a disputa dos Jogos Regionais. Ana Paula, Mércia e Jéssica não estão inscritas na competição. Mesmo assim, as três viajarão com o grupo para São Caetano do Sul. A estratégia da comissão técnica da modalidade é usar esse clima de uma competição oficial para agilizar e aprimorar a ambientação das jovens as demais integrantes do elenco. “Vamos fazer o máximo para elas se sentirem em casa”, destacou a técnica praia-grandense.

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