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Fim da escala 6x1 pressiona custos e escalas do varejo

Com a jornada máxima caindo para 42 horas em 60 dias e para 40 horas na etapa seguinte, redes varejistas precisam redesenhar turnos antes da Black Friday e do Natal. Ricardo Teixeira, Delivery Manager da SISQUAL, explica como o planejamento basead...

22/10/2026 às 14h55
Por: Penha News Fonte: Agência Dino
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Imagem do Magnific/lifeforstock
Imagem do Magnific/lifeforstock

O Congresso Nacional promulgou, em 16 de outubro de 2026, a Emenda Constitucional 141, que encerra a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho no país de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário. Segundo a Agência Senado, o limite passa a 42 horas 60 dias após a publicação do texto e chega a 40 horas cerca de 14 meses depois, com dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos.

A mudança alcança diretamente o comércio, setor que concentra parte relevante das jornadas de seis dias. Conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) citados pelo Senado, cerca de 14,9 milhões de trabalhadores cumprem hoje a escala 6x1 e 37,2 milhões têm jornada contratual de 44 horas. Para as redes varejistas, a transição coincide com a Black Friday e o Natal, quando a demanda por equipes atinge o ponto mais alto do ano. O levantamento da FecomercioSP, divulgado em outubro, aponta que a rotatividade no comércio paulista chegou a 63,3% nos 12 meses encerrados em junho de 2026, o maior índice desde 2022. Em vestuário, tecidos e calçados, a taxa atingiu 79,1%, e nos supermercados, 72,1%.

Custos que não aparecem no caixa

Para Ricardo Teixeira, Delivery Manager da SISQUAL® WFM, empresa portuguesa especializada em Gestão da Força de Trabalho, o setor enfrenta um problema de difícil equilíbrio. "O varejo vive hoje uma equação difícil: a demanda está cada vez mais volátil, com picos concentrados em poucas horas do dia, enquanto as regras de jornada ficam mais complexas", afirma. Segundo ele, convenções coletivas distintas por região, restrições ao trabalho em domingos e feriados e a pressão por margem agravam o quadro, já que o custo com pessoal costuma ser um dos maiores custos de uma loja.

O executivo observa que muitas redes ainda montam turnos em planilhas ou com base na experiência do gerente. "O problema é que o gerente passa horas montando escalas em vez de estar no salão de vendas, e cada alteração de última hora gera um efeito em cascata sobre horas extras, banco de horas e cumprimento da legislação", diz.

Além das horas extras e dos adicionais mal planejados, ele aponta perdas menos visíveis: "O excesso de colaboradores em horários de baixo movimento consome orçamento sem gerar venda, enquanto a falta de pessoas nos horários de pico gera filas, ruptura de atendimento e vendas perdidas que nunca aparecem em nenhum relatório". Intervalos não respeitados e erros no banco de horas, acrescenta, podem se converter em passivos trabalhistas meses depois.

Demanda medida em intervalos de 15 minutos

A alternativa defendida por Teixeira é trocar a intuição por dados. O histórico de vendas, tickets, fluxo de clientes e transações em intervalos de 15 ou 30 minutos permite projetar a demanda por loja, dia e horário. Essa previsão é convertida em necessidade de pessoas a partir de padrões de produtividade por função, como caixa, reposição e atendimento, considerando ainda localização, eventos locais, clima e calendário de pagamento de salários. "Duas lojas com a mesma venda mensal podem ter curvas de movimento completamente diferentes ao longo do dia, e é justamente aí que está o ganho", contextualiza.

Datas sazonais exigem antecedência

O peso das datas comemorativas aparece nas contratações. Para o fim de 2025, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou mais de 100 mil admissões temporárias, o melhor resultado da década, com hiper e supermercados e lojas de vestuário respondendo por 75% das vagas. Na avaliação do Delivery Manager, "o erro mais frequente é planejar tarde e por aproximação", repetindo a escala do ano anterior ou contratando temporários sem prever o tempo de treinamento. Ele lembra que o pico muda de horário durante os eventos e que, depois deles, crescem as trocas e devoluções.

Ferramentas de Workforce Management (WFM), como o SISQUAL® WFM, cruzam a necessidade prevista de pessoas por intervalo, a disponibilidade e as competências de cada colaborador e as regras legais e contratuais aplicáveis. O sistema também compara o planejado com o realizado por meio do controle de ponto, das ausências e das trocas de turno, que o colaborador pode solicitar pelo celular.

"A experiência que temos em projetos, tanto no Brasil como em outras partes do mundo, mostra que o maior ganho nem sempre é o corte de horas, mas sim a realocação das horas existentes para onde elas geram valor", enfatiza Teixeira.

Indicadores para medir resultados

Para os próximos anos, o executivo prevê uma gestão de escalas mais preditiva, apoiada por inteligência artificial e sempre com validação humana. Segundo ele, as mudanças na legislação sobre jornada exigem que as empresas simulem rapidamente o impacto de novos modelos de escala no custo e na cobertura das lojas. Entre os indicadores recomendados estão a precisão da previsão de demanda, a aderência entre escala planejada e necessidade real, o custo de pessoal sobre as vendas, a venda por hora trabalhada, o volume de horas extras, o absenteísmo e a rotatividade, além de tempo de espera em fila, conversão e Net Promoter Score (NPS).

Fundada em 1992 na cidade do Porto, em Portugal, a SISQUAL® WFM atua há 15 anos no Brasil e está presente em mais de 750 hospitais do país, além de atender redes de varejo. Com a nova jornada constitucional em vigor por etapas, cada hora de trabalho passa a ter peso maior no resultado das lojas, e a eficiência da escala se torna um diferencial competitivo para o setor.

Para mais informações, basta acessar: https://www.sisqualwfm.com/pt-br/

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